Você pode vencer qualquer gestor profissional de fundos de investimento

30 mar 20190 Comentários

Você acha que um gestor de fundos profissional, que tem formação financeira profunda, um MBA e administra bilhões de reais vai ganhar em rentabilidade de você, que talvez não possui um MBA, talvez nunca investiu em ações, e com certeza não administra bilhões? Acredite: ele não têm nenhuma chance de vencer você. Mas nenhuma mesmo. Para entender os motivos precisamos entender as circunstâncias em que um gestor de fundos institucional trabalha.

Normalmente o gestor de um fundo de investimento tem como referência um índice de uma bolsa. No Brasil o índice de referência é geralmente o Ibovespa. Isto é porque você pode muito bem comprar uma quantidade proporcional de cada empresa que faz parte do Ibovespa e com isso obter a mesma rentabilidade do índice. Então o objetivo da maior parte dos gestores brasileiros é obter um rendimento superior ao do índice. Porém, a grande maioria fica levemente abaixo do índice.

Os fundos de investimento bilionários possuem bilhões de reais para administrar e investir. Eles precisam pegar todo esse dinheiro e colocar em ações (se eles quiserem obter bons rendimentos investem em ações, se não, investem em outras coisas). Tendo em conta que há limitações legais, e do próprio interesse do fundo, em não comprar de cada empresa mais do que, digamos, um 10% das ações dela, o fundo fica obrigado a comprar digamos que entre 50 e 100 ações diferentes. Mas há poucas empresas com grande volume das quais o fundo possa participar em até um 10%. E essas poucas empresas gigantes não são geralmente as que vão dar os maiores rendimentos. Se ainda o gestor quiser (e puder) aproveitar empresas pequenas de crescimento rápido e grandes rendimentos o número de ações pode ir facilmente para 200 ou mais.

Embora possa parecer que essa diversificação reduz enormemente o risco, há estudos que mostram que nenhuma quantidade de ações acima de 10 reduz o risco significativamente. Porém essa grande quantidade de ações diferentes e grandes volumes de cada uma, traz grandes limitações para o gestor.

Para começar ele não tem como acompanhar 200 ações e saber o que acontece com elas. Então ele acaba tendo um monte de ações que, ou não conhece, ou são as que a grande maioria de analistas acompanha. Isto último significa que a probabilidade do preço e o valor estarem próximos é maior, e por tanto os retornos serão menores.

Outro problema é que um fundo desse tamanho não pode vender todas suas posições numa empresa de uma vez sem fazer o preço da ação cair. Isso é um problema porque conforme ele vai vendendo vai recebendo um preço menor, e por tanto um retorno menor. Então precisa espaçar suas vendas no tempo, com o consequente risco que isso traz.

Além disso, seu desempenho é acompanhado de perto pela instituição e pelos partícipes do fundo, tendo que apresentar resultados quadrimestrais. Ás vezes inclusive mensais. Isso significa que vão exigir dele desempenhos razoáveis no curto prazo, isto é, desempenhos similares aos do índice de referência (lembra do Ibovespa?). Acontece que desempenhos razoáveis no curto prazo são incompatíveis geralmente com grandes desempenhos no longo prazo, pelo simples motivo de que as empresas que vão ter grandes desempenhos de longo prazo são aquelas cujos preços hoje estão abaixo de seu valor, isto é, que hoje estão tendo desempenhos medíocres na bolsa (não confundir com desempenhos operacionais, que são os que importam).

Você pode pensar que o fundo pode contratar um monte de analistas (e de fato alguns contratam) para analisar um monte de pequenas empresas (microcaps) de grande potencial de crescimento e com certeza superar ao mercado. Mas isso não acontece. Porque o objetivo principal do gestor é, antes de qualquer outra coisa, conservar seu emprego. E se ele perder dinheiro investindo na Petrobras, ele conserva seu emprego. Mas se ele perder dinheiro investindo numa empresa que ninguém conhece ainda, ele perde seu emprego. Então por que arriscar?

Por sorte, nem você nem eu temos essas limitações. Podemos estudar empresas sem pressa e investir em umas poucas que entendamos e que tenham grande potencial de crescimento a longo prazo. Também não precisamos nos preocupar por rendimentos medíocres no curto e médio prazo, pois ninguém vai nos julgar por isso. Por isso faça seu trabalho de casa, entenda aquilo em que investe, não compre sem poder dizer o motivo da compra e tenha paciência. Dessa forma as probabilidades jogarão ao seu favor.

Nota: o único gestor, de quem eu tenho conhecimento, que tenha conseguido retornos extraordinários, de forma consistente, com uma carteira extremamente diversificada, é Peter Lynch. Ele obteve durante 13 anos um retorno médio anual de 29%, transformando um fundo de 20 milhões de dólares em 14 bilhões de dólares. Pense nisso quando alguém lhe prometer métodos de investimentos com retornos anuais de 1.600%.

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