Os ciclos econômicos longos, descritos

9 out 20192 Comentários

Os ciclos econômicos são alternâncias periôdicas no andar da economia de um país. Em algumas épocas as coisas melhoram e em outras as coisas pioram.

Essas coisas que melhoram são indicadores econômicos. A procura de bens, o investimento em projetos, o emprego, os benefícios das empresas, os preços, as taxas de juros, a quantidade de dinheiro e o volume de crédito sãos os principais indicadores.

Ao longo do ciclo, esses indicadores flutuam juntos, subindo ou descendo.

Os ciclos econômicos acontecem porque uma economia começa a caminhar para uma situação em que famílias e empresas não vão poder executar seus planos.

Vários economistas têm estudado os ciclos e dado diversas explicações. Neste artigo vou descrever os ciclos longos de Kondratieff.

Kondratieff foi um economista ruso-soviético a quem lhe foi encarregada uma árdua tarefa: determinar quando o capitalismo colapsaria.

Para tristeza do politburo, Kondratieff chegou à conclusão de que o capitalismo nunca iria colapsar. Mas ele também descobriu que a economia capitalista está sujeita a flutuações, sempre ascendentes a longo prazo.

Kondratieff determinou que esses ciclos longos durariam aproximadamente 100 anos. Cada ciclo tem quatro fases que ele chamou de estações, à imagem das estações do ano.

A forma de diferenciar as 4 estações de Kondratieff é olhando para 2 indicadores: preços e taxas de juros. Esses 2 indicadores se movem juntos em ondas, subindo e descendo.

Dentro do ciclo de Kondratieff, as duas estações mornas, primavera e outono, são estações de crescimento. As outras duas, verão e inverno, são estações de dificuldades.

Vamos ver cada uma delas à continuação:

Verão.

O verão também é chamado de estagflação, ou seja, estagnação com inflação.

É talvez a pior época, pois tanto os preços quantos os juros sobem descontrolados.

As famílias e as empresas, em vez de investir para produzir, preferem ter ativos reais, como imóveis, ouro e matérias primas.

A escolha por este tipo de ativos é obvia: são ativos muito demandados e por tanto mantêm melhor seu valor ao aumentar sua quantidade.

Embora esta não seja uma boa época para os negócios, a bolsa nos protege contra a inflação porque os preços estão subindo.

Outono.

O outono também é chamado de desinflação, ou seja, é a queda da inflação da etapa anterior.

Devido a reformas liberalizadoras, como baixadas de impostos, nesta estação os preços param de subir. Os juros, que vinham de 17 ou 18% começam a cair.

Todas estas mudanças supõem uma melhoria do entorno de negócios. Por isso o outono de Kondratieff é a melhor época para a bolsa.

A moeda fica estabilizada também e o crédito começa a fluir.

A Renda fixa funciona bem nesta época porque, ao baixar os juros, os títulos anteriores que pagavam mais sobem de valor. Muitas pessoas têm dificuldade em entender isto

Outro ativo que sobe muito durante o outono são os imóveis. O motivo é justamente a queda dos juros que estimula o crédito.

Nesta época, apesar das subidas dos imóveis e da bolsa, não há inflação. A causa é as quedas de preço das matérias e o surgimento de novas indústrias, com novas tecnologias e novos modelos de negócio. Tudo isso faz com que os custos se reduzam e a produtividade aumente.

Mas tudo que é bom termina: o excesso de crédito gerado pelo sistema bancário na busca de maiores rendimentos, acaba colocando famílias e empresas em níveis de dívida insustentáveis.

A incapacidade de completar projetos mal calculados põe fim ao outono. É a chegada do inverno.

Inverno.

O inverno é chamado também de deflação. A deflação é a queda nos preços, ou seja, inflação negativa.

O inverno de Kondratieff é uma época ruim tanto para a bolsa quanto para os imóveis, que vêm de preços máximos.

O motivo é a incapacidade das famílias e das empresas de fazer frente às dívidas excessivas do outono, principalmente dívidas imobiliárias

Isso gera vendas forçadas, tanto na bolsa quanto nos imóveis, numa corrida por liquidez que afunda os preços. A queda de preços é tão grande que da a impressão de que nunca mais haverá inflação.

Por outro lado, a queda na demanda de crédito faz com que as taxas de juros também despenquem. E é neste entorno que os bancos centrais, a pedido dos governos, começam a fazer bobeiras.

Essas bobeiras são as típicas medidas Keynesianas, como incrementar as compras de dívida dos governos, com a falsa esperança de estimular a economia.

É nesta época que o Estado faz os maiores estragos, com medidas extremamente intervencionistas. Especialmente daninhas são as políticas contra o desemprego, com subsídios, subidas de salários mínimos, maior poder aos sindicatos e burocracia.

De fato, esses estímulos geram um movimento de melhoria aparente no curto prazo que da lugar à primavera.

Primavera.

A primavera também é chamada de reflação. A reflação é o retorno à inflação: os preços começam a subir novamente.

Todas as intervenções do Estado durante o inverno fazem com que a economia comece a se aquecer. O problema é que todos os projetos que estão começando a falhar são subsidiados e por tanto se alongam no tempo.

Mas nenhuma economia funciona sem um bom tecido empresarial e liberdade económica: os juros e os preços dos bens de consumo começam a subir pelas medidas intervencionistas.

A dívida começa a crescer e tanto a bolsa quanto os imóveis começam a subir de novo partindo de preços mínimos.

A subida das taxas de juros faz com que seja uma época muito ruim para a renda fixa, porque novos títulos pagam cada vez mais.

Mas a intervenção do Estado faz com que aumentem os preços das matérias primas e dos salários nominais, aumentando com isto os custos das empresas mais do que suas receitas.

As famílias sofrem também, porque ao aumentar o salário nominal (o número que o funcionário recebe no holerite) entram em faixas do imposto da renda mais altas. Isso faz com que o salário real (o salário nominal menos impostos e menos a alta inflação) e o poder de compra sejam cada vez menores.

É por isto que nesta época os melhores investimentos são ouro, moedas fortes e, em menor medida, imóveis.

Com todas estas circunstancias que dificultam os negócios, a economia para de crescer, dando lugar à estagflação e voltando ao verão.

Onde estamos hoje?

Com os juros e inflação caindo de forma histórica o ambiente para os negócios está começando a melhorar, após anos de enormes dificuldades.

Tudo indica, por tanto, que o Brasil está começando seu outono. Se tudo continua na mesma tendência o Brasil tem muito para crescer.

Mas lembre que dentro dos ciclos longos há sempre pequenos ciclos que ninguém consegue prever.

A melhor proteção contra isso é não tentar adivinhar o que está por vir, investir a longo prazo, comprar empresas baratas e de qualidade e ter disciplina. Esta é a receita para a prosperidade.

Comentários

2 Comentários

  1. Dauri Antonio Dos Passos

    Achei muito interessante…Gostei do conteudo..

    Responder
    • Pablo

      Muito obrigado Dauri. Fico feliz pelo conteúdo ter sido útil para você 🙂

      Responder

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