O viés de Status Quo

16 set 20190 Comentários

Não. Não estou falando de um grupo de rock. Estou falando da tendência das pessoas a ficar do jeito que estão. Ou seja, a inércia.

Richard Thaler, em seu livro Nudge, põe o exemplo das configurações padrão de um celular: você já reparou em que você tende a deixar seu celular configurado com aqueles parâmetros que vieram de fábrica? Por que não mudar tudo para outra configuração diferente? O motivo é o viés de Status Quo.

Mas o viés de Status Quo não é simplesmente uma tendência a ficar do jeito que você está. É também a tendência a não fazer nada e, o que é pior, a aceitar decisões que você tomou no passado, embora você tenha descoberto evidências de que aquela decisão foi um erro.

No livro Poor Charlie’s Almanack, o livro sobre Charlie Munger, essa tendência a continuarmos com decisões ou opiniões erradas que você tomou anteriormente é explicado pelo que se chama de tendência a evitar inconsistências.

Perante os outros e, o que é pior, perante nós mesmos, precisamos parecer consistentes em nossas opiniões e comportamentos. Por isso é tão difícil mudar de opinião.

Porém o sábio é seguir o conselho de John Maynard Keynes (só nisto, não em economia): “quando as circunstâncias mudam, eu mudo minha opinião”.

Uma consequência do viés de Status Quo é o chamado efeito de doação. Ele consiste em que, no momento que você vira dono de algo você tende a dar a aquilo um valor maior do que outros dariam.

Em seu livro Behavioural Investing, James Montier explica um experimento feito para demonstrar isto: numa sala de aula, você entrega uma caneca à metade dos alunos da sala. Depois explica a eles que, agora, quem tem uma caneca pode vender ela para alguém da outra metade da sala que não tem caneca.

Embora o resultado esperado seria que mais ou menos 50% das pessoas iriam querer comerciar (já que a caneca foi dada de graça), o resultado médio destes experimentos é que somente ao redor de 10% dos participantes acabam realizando intercâmbios.

O motivo chave, explicado por Montier, é que o preço médio pedido pela caneca é o dobro do preço médio oferecido por quem não tem caneca.

Tanto o efeito de doação quanto o viés de status quo são parte de um problema maior chamado de aversão às perdas.

Nos investimentos

A consequência mais séria da aversão às perdas é que você vai tender a vender investimentos que estão indo bem, com grandes ganhos, mas vai tender a conservar investimentos que estão perdendo.

O motivo é a crença de que, enquanto você não vender, você não está perdendo, o que é absurdo. Você já perdeu e está com medo de materializar aquela perda.

Ao mesmo tempo que você não quer perder, você tende a valorizar aquela ação mais do que outras pessoas que não possuem ela.

Para evitar este tipo de erros, perante uma situação de queda do preço de uma ação em que você decide manter ela na sua carteira, sempre escreva o motivo pelo qual você está tomando essa decisão.

Se o motivo não for algo baseado em fatos (concretamente que os fundamentos da empresa continuam iguais e, ao ter caído o preço, a margem de segurança aumentou) mas algo baseado em sensações ou emoções, reconsidere sua decisão. Possivelmente ela seja a decisão errada.

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