O viés de retrospectiva

2 set 20190 Comentários

Em 2007 o sistema financeiro internacional entrou em colapso. Coisas que nunca antes tinham acontecido, como a falência de bancos enormes e o colapso do mercado imobiliário, aconteceram.

Uma das melhores amostras do que aconteceu naquela época aparece no filme A grande aposta, que recomendo muito que você assista.

O filme mostra, de uma forma muito fiel, parte dos eventos que desencadearam a grande crise de 2007. E mostra como somente um pequeno grupo de investidores perceberam o que estava acontecendo.

Posso adicionar que, na Espanha, um outro pequeno grupo de economistas adscritos à Escola Austriaca de economia, já tinha avisado dos excessos aos que estavam dando lugar as politicas monetárias de crédito fácil, impulsionadas pelos bancos centrais.

Mas isso foi tudo. Quase ninguém previu uma das maiores crises financeiras da história. Inclusive muitos negaram a evidência no mesmo momento em que estava acontecendo.

Porém, se hoje você perguntar sobre a crise para alguém que a viveu, a maior parte das pessoas vão dizer “eu já sabia”. Só que não sabia.

Esta atitude de “eu já sabia” é causada pelo viés de retrospectiva, que é um dos vieses cognitivos mais perigosos.

O viés de retrospectiva é aquela sensação, quando algo já aconteceu, de que você já sabia disso antes de que acontecesse.

Ele tende a aumentar nosso excesso de confiança porque, se você tem certeza de que podia prever o passado, você provavelmente vai acreditar que pode prever o futuro.

Inclusive agora, lendo estas linhas, talvez você pense “muito interessante… eu já sabia!”. Só que não.

Olhando pelo retrovisor, tudo parece previsível. Simplesmente porque você tem hoje informações que você não tinha naquela época e que você não lembra que você não tinha.

Lembre que o futuro é incerto e você não pode prevê-lo.

Como se proteger

Uma forma prática de se proteger contra o viés de retrospectiva é escrevendo um diário de decisões.

Quando você estiver tomando uma decisão de investimento (ou de qualquer outro tipo) anote os motivos que o levaram a tomar aquela decisão, assim como, na medida do possível, o processo lógico de decisão que você adotou.

No final da sua anotação, encerre com uma única frase, de não mais do que duas linhas, que resuma o motivo principal de sua decisão.

Desta forma, além de ter no futuro o histórico real do que você sabia e o que não, você perceberá antes de tomar a decisão, se seu raciocínio está sendo lógico ou se ele tem falhas.

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