O viés de representatividade

30 set 20190 Comentários

Maria tem 31 anos, solteira, confiante e brilhante. É formada em filosofia e, como estudante, lhe preocupavam muito assuntos relacionados à igualdade e discriminação.

O que é mais provável:

A. Que trabalhe num banco.
B. Que trabalhe num banco E seja ativa no movimento feminista?

A maior parte das pessoas tende a escolher a opção B. Mas é impossível que a opção B seja mais provável que a opção A, porque a opção B é um subconjunto da opção A.

Toda vez que acontece B, acontece também A. Ao contrário não. Se B se cumpre, A também se cumpre. Por tanto a probabilidade de A é SEMPRE maior do que a probabilidade da B.

O culpado desse erro de julgamento é o viés de representatividade. O viés de representatividade é o efeito de julgarmos a probabilidade de um objeto ou evento A pertencer à classe B, observando o quanto A parece com B. Quando fazemos isso, descartamos informações sobre a probabilidade de B ocorrer.

E a gente faz isso o tempo todo e em todos os aspectos da vida.

Qual é o grande problema disto?Como Daniel Kahneman explica, “um pecado da representatividade é a disposição excessiva a predizer acontecimentos improváveis“. E Kahneman dá o seguinte exemplo:

Você vê uma pessoa lendo The New York Times no metrô de Nova York. Qual das seguintes opções é mais provável?

A. Possui um doutorado.
B. Não possui um diploma universitário.

O viés de representatividade lhe faz escolher a opção A. Porém há muitas mais pessoas que não possuem diploma universitário do que pessoas que possuem doutorado. Portanto a opção mais provável é a A.

Nos investimentos.

Quando você olha para uma empresa com uma marca forte dá a impressão de ser uma boa empresa. Só por isso você acha que é também um bom investimento.

Ou você vê gente ganhando dinheiro com um negócio concreto e por tanto você acha que você vai ganhar dinheiro também.

Acontece também quando você olha para resultados passados de uma empresa e considera que eles vão se repetir no futuro, tenham sido eles bons ou ruins no passado.

Nada disso é necessariamente assim.

Para se proteger do viés de representatividade, Kahneman sugere duas ideias: 1, tome decisões considerando a probabilidade do evento acontecer; e 2, questione sempre sua intuição, porque ela tende a exagerar a probabilidade de algo acontecer.

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