O viés de auto-atribuição

28 ago 20190 Comentários

 Já reparou em que todo mundo ao seu redor erra, menos você?

Se você reprova numa matéria a culpa é do professor que lhe persegue. Se determinado investimento não deu certo foi a má sorte (ou, se você for socialista, jogará a culpa em algum “malvado capitalista” que manipulou o mercado).

Bem, não é bem assim. O que acontece, na verdade, é que seu senso de auto-estima é bastante sensível e lhe impede de reconhecer certas situações como o que são: puros e simples erros seus.

O mecanismo responsável por esta forma de “pensar” é o chamado viés de auto-atribuição. Ele consiste, básicamente, em atribuirmos os bons resultados que obtemos, em qualquer campo, à nossa especial habilidade. Mas ao mesmo tempo atribuirmos os maus resultados à má sorte ou a fatores externos (os políticos, o vizinho, meu chefe, meu cunhado, etc.).

Se você joga uma moeda pro ar e sai cara, foi habilidade, mas se sai coroa foi má sorte.

Se você ainda acha que com você não acontece isso, pense nas discussões com sua cara metade. Quem é o culpado das brigas a maior parte das vezes? Se você acha que não é você, sinto lhe dizer que você está sendo vítima do viés da auto-atribuição.

E ele é um dos maiores obstáculos para o aprendizado, pois nos impede reconhecer os erros como o que são: puros e simples erros.

Em uma leve variação do viés da auto-atribuição, algumas pessoas realmente acreditam que a sorte não existe.

Nestes casos, quando as coisas dão certo para eles, atribuem seu sucesso à sua habilidade ou capacidade superior. E ao mesmo tempo atribuem as falhas dos outros à falta de esforço, preguiça ou negligência.

Isto, além de ser falso, é muito injusto.

A sorte existe porque existem eventos imprevisíveis, que nem você nem ninguém consegue controlar.

O que falta nesta equação para podermos avaliar um resultado é o processo que nos levou àquele resultado.

Para isto podemos utilizar um quadro muito simples, mas muito útil, chamado de matriz de decisões.

Bom processo Mal processo
Bom resultado Habilidade Sorte
Mal resultado Má sorte Erro

A matriz tem em conta 2 parâmetros (processo de decisão e resultado) e lhe dá a causa daquele resultado

Se você obteve um bom resultado com um bom processo, pode dizer que foi sua habilidade a responsável pela façanha (embora poderia teria sido sorte também).

Se você obteve um bom resultado com um mal processo, essencialmente você teve boa sorte e pode se considerar um tolo com sorte. Mas não se preocupe, você não é o único.

Se você obteve um mal resultado com um bom processo, a causa foi a má sorte. Entenda que estes casos existem e não devem lhe fazer desistir ou mudar seu processo.

E finalmente, se você obteve um mal resultado com um mal processo, pode dizer que houve justiça, e que você errou.

Este último caso, quando reconhecido, é o que mais nos faz crescer. Aproveite-o para aprender com seu erro, mude seu processo e, se fizer isto repetidas vezes, você sairá na frente da maioria das pessoas.

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