Entrevista a Thiago Burbela, Diretor do Grupo Casco

27 nov 20113 Comentários

Esta semana começo no blog uma nova seção de entrevistas a empreendedores. O objetivo é trazer experiências de pessoas que têm um comportamento diferenciado e estão construindo com sucesso seu empreendimento, já seja uma empresa ou um projeto de outro tipo.

A entrevista desta semana é com Thiago Burbela, Diretor do Grupo Casco, que recebeu em 2010 o prêmio Aster de empreendedorismo. Os comentários do Thiago são realmente interessantes.

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ViverSemChefe: O que, em sua opinião, diferencia a um empreendedor do resto das pessoas?

Thiago Burbela: A principal característica em um empreendedor, de fato, é a sua atitude. Qualquer pessoa pode ser um empreendedor. Não é uma questão de “dom”. Eu virei um empreendedor muito antes do meu próprio desejo de sê-lo. Ser empreendedor foi, é e sempre será um aprendizado. A maioria das pessoas jovens hoje deixa o mercado escolher uma profissão para eles, se baseando em alguma história de sucesso, e nem percebem que o mercado não escolhe profissões, o mercado seleciona pessoas que se destacam em suas carreiras pelo simples fato de se dedicarem a elas como uma grande paixão. Muitas pessoas também acreditam na sorte, na oportunidade e esperam a vida inteira por isso. E nem percebem que isso acontece na sintetização das próprias atitudes. Podemos escolher entre esperar uma embarcação para te levar a algum lugar ou construir a sua embarcação para ser o próprio comandante. Existem pessoas que reagem e existem pessoas que agem. A escolha é de cada um.

Um empreendedor potencializa suas características de negócio diante de uma situação qualquer. Como qualquer ser humano, a primeira sensação é de medo. É praticamente imediato. Naturalmente, um empreender transforma esse medo em uma simples dúvida. Nesse momento a atitude faz a diferença. Em algumas situações o ser humano é conservador a ponto de perder uma grande oportunidade pelo simples fato de não ir adiante e, assim, a dúvida serve como uma traição a sua intuição. A minha experiência como empreendedor fez minha intuição ter um caminho aberto às oportunidades geradas. É claro, esse caminho pode ser uma janela, ou um buraco. Um empreendedor não é aquele que acerta. É aquele que arrisca. Com coragem e confiança, sem mais aquele medo inicial. Quem erra, aprende. Quem acerta, conquista. Não há um cenário ruim para quem quer ser de fato, um empreendedor.

Como afirmei, virei um empreendedor muito cedo, sem mesmo ter a experiência de gestor. Estive sempre na linha da operação do ramo e não na ponta do guarda-chuva. Fui convidado a integrar a sociedade de uma empresa que já existia há quase 1 ano. Meu sócio, na época estava sozinho, sem funcionários, sem receitas fixas garantidas, sem a menor comparação com o salario do meu atual emprego na época. A primeira sensação do medo de largar o cargo estável, em uma empresa estável, vendendo até mesmo o que eu não tinha em troca de um salário declaradamente baixo e não garantido, foi superada por me sentir jovem para aquele momento, e a dúvida de ir em frente foi sanada no momento em que entreguei a demissão ao RH do meu antigo emprego na mesma área.

Pronto. Atitude tomada, adrenalina elevada e coragem alimentada. A partir dali mais duas características empreendedoras deveriam ser potencializadas: Persistência e Paciência. Foram mais alguns meses sem muita evolução e perspectivas, mas em seguida o sucesso da empresa começou a render bons frutos. O sucesso para qualquer empreendedor é relativo, mas para alcançá-loalguns fatores devem estar sempre atualizados em busca do crescimento e do pensamento positivo. A atitude deve ser remanejada, a paciência conservada, a persistência objetivada e ainda tudo isso com grande vontade e adoração pelo que faz. Arquitetar a própria carreira é o maior prêmio para um bom empreendedor.

VSC: Qual é o grande conselho que você daria a você mesmo quando tinha 20 anos?

TB: Durante o curto tempo como empreendedor poderia considerar que tive erros e acertos bem equilibrados. Se eu pudesse dar alguns conselhos a mim mesmo aos 20 anos, eu iria indicar a prioridade aos estudos na área da qual eu gostaria de seguir, pois no meu caso, aos 20 anos eu já estava na área. Nada traz mais dividendos na vida do que os estudos. Outro conselho seria o de buscar maneiras de ganhar dinheiro e não economizar cortando custos. Isso, cortar custos, é uma reação natural do ser humano. Unindo os dois conselhos as ideias surgem mais facilmente. Hoje em dia não é preciso ter uma grande ideia para iniciar um negócio, basta você ser o pioneiro e sempre estar um passo a frente da imaginação do mercado.

VSC: Que ÚNICA coisa acredita estar na base do seu sucesso? Por quê?

TB: O sucesso sempre vai ser algo relativo. Acredito que a base para o sucesso está fundamentalmente na ATITUDE. O nível do sucesso é determinado pela atitude. Se o caminho escolhido está ficando cada vez mais estreito, a melhor decisão será a atitude. Se o caminho está cada vez mais aberto, não há porque ficar conformado. Um empreendedor não enxerga limite, enxerga possibilidades e as transforma conforme cada atitude.

VSC: Como você planeja ensinar o que você aprendeu aos seus filhos?

TB: Mesmo sendo cedo para pensar nisso, eu posso afirmar que vou ensinar muito sobre toda e qualquer tentação que eventualmente aparece em nossas vidas. No geral são freqüentes e têm resultados passageiros, completamente ilusórios. As escolhas na vida devem ser feitas com paciência pensando sempre a longo prazo. Seja para a prática de um esporte ou uma definição de profissão e após isso seguir em frente sempre, lembrando que sucesso é enfrentar o fracasso várias vezes sem desistir.

VSC: Você tem alguém em quem se espelhou, alguém que tomou como referencia ou modelo? Por que?

TB: Não me espelhei em ninguém especificadamente sobre o ramo que eu segui, mas pensar na minha família sempre me motivou por razões pessoais.

VSC: Alguma vez pensou em desistir? Por que? O que fez você continuar?

TB: Nunca pensei em desistir e sempre digo outra frase a mim mesmo quando sinto que o clima não está muito favorável: “O meu cansaço eu só posso ver pelo retrovisor.”

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Comentários

3 Comentários

  1. iraci

    Adorei!! estas postagens sempre me ajudam muuuito.obrigada
    parabéns!! abraços…

    Responder
  2. Eigon Pirolo

    Parabéns ao Thiago pelas palavras e experiências, sucesso e muita atitude!

    Responder
  3. Carmem_mcn

    Parabéns pela bela matéria e ao Empresário Thiago Burbela que tenho muito apreço.
    Muito interessante conhecer as histórias de jovens empreendedores, com empresas que estão se firmando no mercado para serem grandes e conceituadas.
    O próximo passo é estar na Revista Exame.

    Responder

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